A Margarida ainda não teve a sorte de lhe ser atribuído qualquer material pela segurança social, daí o inicio da recolha das tampinhas, infelizmente os materiais são bastante caros e por mais que se queira um vencimento não estica assim tanto...quando a deficiência abrange o nível motor mais materiais são necessários, desde cadeira de rua, auto, standing, a bicicleta adaptada, andarilho.... sonhos que os pais têm!!!! para tornar-lhes a vida mais praserosa---enfim!
A aderência por parte das escolas, e amigos tem sido uma grande ajuda, não esquecendo no Porto de onde também vêm bastantes garrafões! Obrigada a todos que têm a paciência de juntar tampinhas! Continuem !!!!
A menina João ontem também chegou a casa com a novidade que pôs o colégio dela a recolher, estava-lhe a meter confusão ver tampas no chão! Hoje quando fui ao colégio lá me gabaram a filha, que é um doce de menina e sempre pronta a ajudar e que agora pôs a escola em missão!
Por onde ela passa faz ver a deficiência com a naturalidade que se deve ter e assim vai inserindo valores na mentalidade de outros, pois por mais que se saiba que a DEFICIÊNCIA exista, são coisas que acontecem aos filhos dos outros, até que nos bate à porta e tem que ser bem recebida pois ninguém a escolha e quem a tem já sofre que chegue!
Aos olhos da maioria a ranheta é a mais deficiente, não anda, não fala, mas eu agradeço sempre ao meu Anjo da Guarda pela sorte que eu tive, pois apesar destes handicaps ( a maldita epilepsia é o que me chateia), o mundo que eu conheço hoje em dia, mostra-me o pior que há:_ sondas, botões gástrico, problemas respiratórios, epilepsias...eu vejo isto tudo junto e é tão assustador!! mas em contrapartida mostra a força do sorriso, o calor do abraço e o beijo, o beijo babado é do melhor!
Não é preciso ter pena nem da Margarida nem dos meninos que lidam assim com o seu dia a dia, o importante é saber respeitar e deixar de lado os olhares de esguelha e o cochicho, porque nós pais, pelo menos eu, prefiro que olhem de frente, perguntem o que há para perguntar e assunto resolvido. Deixem é a conversa dos coitadinhos em casa porque podem correr o risco de respostas tortas! e é natural esclarecer sobre a doença pois quanto mais se fala mais se conhece.